A febre atormentava-a... por dentro um gelo ocupava-a numa luta violenta e contrafeita... nunca conseguira lutar contra esse amor vivente... nem contra as ausências da parte dele.Ela... olhou mais uma vez a foto e viu nele a alegria dos copos de vinho reservados para dias de festa,um ambiente de natal retomado pelo amor à terra...viu nele pequenos nadas... o cheiro da casa, o perfume do solo... uma árvore com flores que soltam um perfume de almíscar,as cintilações matinais do sol... viu nele um rio que domina o vale com as umas fortes ondulações... viu nele uma fonte de amor que faz um filho encostar a cabeça no seu pai já idoso. Viu nele a vida... um pequeno grão do universo capaz de alterar todo o seu mundo. A ausência desta vida fecha os enormes porticos que pôem o sol na rua e ensombram a sua vida. Ele está tão longe... na terra do nunca... uma estrada infinita sobre mares de sonho onde no final os lábios mais belos que alguma vez viu sorriem... para ela não existe beleza comparável a este panorama.Para trás...toda uma vida assente em alicerces de coragem, sobrevivência e construção dela própria.Sente-se sem forças para decidir... não sabe o que fazer e não consegue dormir... sorri ao pensar que mesmo neste momento de aflição é delicioso perder o sono só para o ter perto em espírito e pensamento. Mas quem é ele? A vida dela durante anos... ele e ela são seres semelhantes pois ela não se lembra do que foi antes dele, antes de o ter... imagina o que será sem ele... um vazio apenas. E com ele... o que será ela com ele? Um outro tipo de vazio por tudo que deixa para trás, por promessas que poderão não ser cumpridas... por um outro amor da vida dele... o seu país que o rouba dela por vários períodos de tempo... que a faz voltar às suas origens.E ela... quem é ela? Apenas eu..."
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