domingo, 20 de setembro de 2009


Hoje fico-me pelo sentimento de uma fotografia.
Amo-te.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

10 things i hate about you .

"Olhou a fotografia dele ainda pousada na cómoda e sentiu o mesmo apetite que a acompanhou durante anos... um apetite parecido com aquele que sentimos quando queremos morder um fruto apanhado da árvore mas... desta vez a sua hesitação de raciocínio mandava-a esperar pela altura própria de comer esse fruto.. ou decliná-lo até! Tinha sido sempre ela a abdicar de tudo por ele ... tinha que fazer o esforço de deixar ser a vez dele.
A febre atormentava-a... por dentro um gelo ocupava-a numa luta violenta e contrafeita... nunca conseguira lutar contra esse amor vivente... nem contra as ausências da parte dele.Ela... olhou mais uma vez a foto e viu nele a alegria dos copos de vinho reservados para dias de festa,um ambiente de natal retomado pelo amor à terra...viu nele pequenos nadas... o cheiro da casa, o perfume do solo... uma árvore com flores que soltam um perfume de almíscar,as cintilações matinais do sol... viu nele um rio que domina o vale com as umas fortes ondulações... viu nele uma fonte de amor que faz um filho encostar a cabeça no seu pai já idoso. Viu nele a vida... um pequeno grão do universo capaz de alterar todo o seu mundo. A ausência desta vida fecha os enormes porticos que pôem o sol na rua e ensombram a sua vida. Ele está tão longe... na terra do nunca... uma estrada infinita sobre mares de sonho onde no final os lábios mais belos que alguma vez viu sorriem... para ela não existe beleza comparável a este panorama.Para trás...toda uma vida assente em alicerces de coragem, sobrevivência e construção dela própria.Sente-se sem forças para decidir... não sabe o que fazer e não consegue dormir... sorri ao pensar que mesmo neste momento de aflição é delicioso perder o sono só para o ter perto em espírito e pensamento. Mas quem é ele? A vida dela durante anos... ele e ela são seres semelhantes pois ela não se lembra do que foi antes dele, antes de o ter... imagina o que será sem ele... um vazio apenas. E com ele... o que será ela com ele? Um outro tipo de vazio por tudo que deixa para trás, por promessas que poderão não ser cumpridas... por um outro amor da vida dele... o seu país que o rouba dela por vários períodos de tempo... que a faz voltar às suas origens.E ela... quem é ela? Apenas eu..."

"Aprendi a nunca pedir que me amasses e a nunca cobrar a distância. Aprendi novas formas de viver e de estar, de amar e de ser feliz...
...
Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã que acordares.
Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque sempre soube que ia ser assim. Guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.
Não acordaste, nunca acordavas, o teu sono embalava-me e eu sentia-me uma semente debaixo da terra a crescer em silêncio para a felicidade. E não pode haver amor mais certo do que aquele que nos faz felizes. É só deixar correr, como, afinal, tudo o que é verdadeiramente importante na vida."

Crónica Deixar Correr de Margarida Rebelo Pinto in Vou Contar-te um Segredo