sábado, 30 de outubro de 2010

heart


"O tempo passa a ser nosso em vez de sermos nós dele. E tudo o que dizemos tem graça, e tudo o que fazemos é fácil, certo e bom...
Não tem nome este estado de graça, de se sentir a vida a pulsar debaixo da pele e coragem para fazer tudo o que ainda não conseguimos. Não tem nome, nem pode ter, porque é tão forte e tão grande que não cabe num dicionário. Não é paixão porque não dói, nem atracção porque não inquieta. É um quase tudo mas ainda não é nada, porque não houve tempo. E o tempo que tão sabiamente apaga desejos incendiários e nos resolve dramas de tirar o sono e secar as lágrimas, é mais uma vez o nosso maior aliado, de mãos dadas com a euforia que nos enche de graça a existência. Só é preciso não ter pressa, deixar passar o tempo devagarinho e fazer figas para dar certo. E eu adoro fazer figas."

sábado, 23 de outubro de 2010


Sinto tanto a tua falta...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

pianos .


"Paixões de adolescência. Começam do nada e acabam em nada porque não valem nada, a não ser enquanto duram, às vezes com a vida mais curta do que uma mosca. Paixões impossíveis, que nos tiram o sono e o apetite, nos põem a contar as estrelas e a escrever poemas pirosos, nos fazem rezar mesmo quando já deixámos de ir à missa desde os doze, nos adoçam o coração e o olhar e enchem a almofada de água salgada quando as coisas correm mal, ou pior ainda, não correm.

Depois uma pessoa cresce e habitua-se a sofrer. A esperar. A sonhar um bolo gigante a partir de três migalhas. A acreditar no impossível. A desejar o impensável. A querer que aqueles que amamos nos tragam o mundo numa bandeja. A isto chama-se carregar pianos. Até ao dia em que uma pessoa se cansa, baixa os braços, olha para o piano, encolhe os braços e diz agora basta. Basta de espera, de abnegação, de sonhos, de promessas, de palavras mágicas e inconsequentes. Basta de promessas de amor, de castelos de areia, de adiamentos e hesitações, de ausências e de dúvidas. E depois, o mundo vai abaixo. As casas, os prédios, as pontes, tudo se desfaz num estrondo imenso e assustador, que faz quase tanto barulho como um coração a bater com a porta. E como é o nosso coração que está a bater a porta, ainda custa mais.

E sentimo-nos a desmanchar por dentro. Não é a partir, é só a desmanchar, como se nada tivesse forma ou fizesse sentido. E o piano está ali mesmo em frente, à espera de ser carregado. Dá vontade de pegar num martelo e de o destruir de raiva. Dá vontade de o abrir e tocar meia dúzia de notas. Dá vontade de descansar sobre ele e falar-lhe baixinho, ao ouvido das cordas, para lhe explicar o que se passa. Que o cansaço já está acima do sonho, que o medo está acima da força, que a vontade comanda a vida, mas não o amor. Explicar que o tempo há-de trazer nos ventos a indicação de um caminho qualquer para onde o piano possa ir sem ser carregado.

Carregar pianos. Escada acima, quatro andares sem elevador. As costas doem, os braços tremem, as curvas na escada são uma equação impossível de resolver, tudo é difícil, tudo é esforço, tudo é inglório. E o amor transforma-se numa luta, num sacrifício, somos mártires da nossa loucura, flagelados pela nossa obstinação e teimosia. E o pior é que, quando chegamos ao fim da batalha e o piano está lá em cima, não era naquela sala, nem naquela casa, nem era aquela pessoa.

Carregar pianos. Para quê, se quase todos têm rodinhas? Não é desistir, é só mudar de vida e esperar que ela nos traga o que mais precisamos, sem partir as costas nem torcer os braços. E geralmente até traz."


de Margarida Rebelo Pinto

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

amor vs analgésicos .

As canções falam sobre a dor do amor. Agora, contudo, uma nova pesquisa descobriu que ocorre o contrário: o amor alivia a dor. O amor apaixonado, diz o estudo, tem o mesmo efeito que um analgésico. Cientistas dos Estados Unidos descobriram que os sentimentos intensos e apaixonados de amor podem oferecer "um incrível efeito analgésico", semelhante ao dos medicamentos.

Os pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, descobriram em exames de imagem cerebrais que muitas das áreas do cérebro normalmente envolvidas com a resposta à dor também são ativadas com pensamentos amorosos.

"Quando a pessoa está nessa fase apaixonada e até obsessiva do namoro, ocorrem alterações em seu estado de ânimo que têm um impacto em suas experiências de dor", afirma Sean Mackey, que dirigiu o estudo publicado no periódico da Biblioteca Pública de Ciência dos Estados Unidos, PLoS ONE. "Agora estamos começando a entender alguns desses sistemas de recompensa do cérebro e a forma como influenciam na dor."

Estes são sintomas cerebrais profundos que envolvem a dopamina, um dos principais neurotransmissores que influenciam o estado de ânimo, a recompensa e a motivação, explica o cientista.

Os especialistas analisaram 15 estudantes que se encontravam na primeira fase de um romance, a "etapa de maior paixão". Na análise, eles receberam uma dose leve de dor enquanto se distraiam vendo fotos de seu amado. Durante a experiência, os cientistas usaram imagens de ressonância magnética funcional (fMRI, sigla em inglês) para medir a atividade em tempo real de diferentes partes do cérebro.

Há tempos se sabe que os sentimentos fortes e apaixonados estão relacionados a uma atividade intensa em várias áreas cerebrais, que incluem zonas vinculadas à dopamina, o composto químico que produz uma sensação de bem-estar no cérebro depois da ingestão de certos estimulantes, a exemplo de doces ou drogas – como a cocaína.

Os cientistas notaram que, quando os participantes sentiam dor, algumas das mesmas áreas ativadas também estavam vinculadas aos sentimentos amorosos. Para analisar se ambos – amor e dor – estavam relacionados, recrutaram estudantes que se encontravam nos primeiros nove meses de namoro, o que se define como a "primeira fase de amor intenso".

Foi pedido a cada um que levasse uma foto de seu parceiro e fotografias de alguém a quem consideravam um conhecido muito atraente. Ao se submeterem aos exames cerebrais, eles viam as imagens e ao mesmo tempo uma almofadinha controlada por computador colocada na palma da mão causava dor leve.

Os cientistas descobriram que ao ver a imagem da pessoa amada, os estudantes tinham uma percepção muito mais reduzida da dor do que quando olhavam a imagem do conhecido atraente.

"As áreas do cérebro que se ativam com o amor intenso são as mesmas nas quais os medicamentos atuam para reduzir a dor", afirma Arthur Aron, outro cientista que participou do estudo. "Quando pensamos em nosso ser amado, há uma intensa ativação na mesma área de recompensa cerebral de quando se consome cocaína ou se ganha muito dinheiro."

Uma dessas áreas-chave é o núcleo accumbens, um importante centro de recompensa cerebral e de dependência a opióides, cocaína e outras drogas que viciam. Os cientistas ressaltam, no entanto, que ainda não é o momento de dizer aos pacientes que sofrem de dor crônica que deixem os analgésicos e os troquem por uma relação amorosa apaixonada.

O estudo é preliminar e ainda será necessário pesquisar se este efeito de curto prazo, que ocorre na primeira fase da paixão, pode ser substituído por algo semelhante a longo prazo. Os pesquisadores esperam entender melhor se essas vias de recompensa neuronal que se desencadeiam com o amor apaixonado poderiam algum dia ajudar a desenvolver novos métodos para aliviar a dor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

19

Ontem senti-me realmente útil, cuidar da minha avó foi dos momentos mais gratificantes dos últimos tempos. Conseguir fazer ecoar as nossas gargalhadas na sala, orgulhei-me bastante disso. Dei por ti a adormecer enquanto li-a, senti paz naquele momento, uma rara calma que me fazia esboçar um sorriso. Mas quando as nossas gémeas chegaram é que a casa se encheu de alegria, que saudades que tinha delas.

Continuei a minha leitura no autocarro. Saí do 803 naquela paragem, estava de noite já, e por breves instantes senti os meus olhos encherem-se de saudade naquele momento de nostalgia intensa. Vieram-me mil coisas à memória e a minha postura pareceu mudar-se sem eu me aperceber.

"Contudo, Gabby recordava-se de ficar a observar as fotografias do casamento dos pais ao saírem da igreja e a pensar como é que duas pessoas tão diferentes poderiam ter-se apaixonado uma pela outra. Enquanto a mãe adorava o faisão do clube de campo, o pai preferia o pão e a carne da cozinha local; se a mãe não admitiria ir à caixa de correio sem se maquilhar, o pai vestia calças de ganga e andava sempre um pouco despenteado. Mas a verdade é que se amavam. Pela manhã era frequente encontrá-los ternamente abraçados e nunca ouvira altercações entre eles."
Nicholas Sparks , "Uma Escolha Por Amor"

sábado, 16 de outubro de 2010

cicatrizes.


Há coisas que nem sei se mudam, se valem a pena. Porque sei que há coisas que se perdoam mas não se esquecem, que vão ser sempre cicatrizes que doem quando muda o tempo (do coração). E se num dia me sinto tudo, no outro já não me sinto nada...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

o rapaz de olhos azuis.




"Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça…"

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

10 out.

Sinto-me ainda mais impotente por não ter conseguido fazer mais nada pela minha Bonequinha que tanto lutou, que tanto resistiu , que tão presa estava à vida! Porque é que tinha que ser comigo a trabalhar? Eu queria ter estado cá, eu queria ter feito uma última festinha... Agora ficam as recordações, ficam as coisas roídas, as fotografias... Fica tudo aquilo que ninguém consegue ver ou recordar tão cedo sem chorar, sem sentir um nó no peito que faz com que custe a respirar.

Foi o primeiro dos últimos dias.

domingo, 10 de outubro de 2010

destino .


"Qualquer um pode realizar o seu potencial. Quem somos pode estar pré-determinado, mas o caminho que seguimos é escolha nossa. Não deixemos nossos medos ou as expectativas alheias determinarem o nosso destino. O destino não pode ser mudado, mas pode ser desafiado. Cada um nasce como muitos homens e morre de forma única."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

sentir é vago.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

tic tac .


Isto deixou de ter uma coerência, pois as poucas palavras que me vão saindo não se conseguem conjugar. Não consigo conjugar querer de perder, sorrir de ver partir.
Preciso de um motivo para aguentar, preciso olhar todas as noites para o céu e pensar que vemos as mesmas estrelas e respiramos o mesmo instante. Aprendi que se levantares a mão e fechares um dos olhos a lua nunca é maior que o teu polegar, por isso sempre que assim for eu vou testa-lo, e vou pensar que longe daqui alguém faz o mesmo.
Parecemos uma bomba relógio prestes a explodir. Prestes a empurrar cada um para o seu beco...
No final eu vou estar aqui, mais ou menos forte, mais ou menos frágil, mais ou menos eu. Afinal, you're not alone.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

se eu pudesse .


"Se eu pudesse, roubava o tempo do mundo, fazia cada momento durar mais do que um segundo e sussurrava o quanto o tempo é só nosso, se eu pudesse fazia por ti tudo o que eu não posso. Em cada olhar que fica, cada beijo que voa, cada palavra amiga, que sozinha nos conta esta história tão leve, que por mais breve que seja, faz eterno um só momento por mais esquecido que esteja."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

off


"Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau."

Mode: down.

sábado, 2 de outubro de 2010

metáforas .




"sabes que o amor é como uma borboleta,
se a agarrares demasiado, esmagas
se estiver demasiado solta, voa para longe."

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

caminhos .





"Duas estradas separavam-se num bosque,
Eu segui pela menos usada
E isso fez toda a diferença(...)"

Robert Frost